APRESENTAÇÃO

Canudos é solo fértil de narrativas grandiosas, nas quais o líder utópico e o sertanejo tenaz deram as vidas para superar aflições seculares, marcando a história do país em capítulo épico. Fértil, não menos, para os que hoje superam os desafios cotidianos de uma cidadela por duas vezes destruída: a primeira, pelo fogo dos expedicionários dos quatro cantos do país que enxamearam ao Sertão para aniquilar a insubmissão conselheirista. E a segunda, pela submersão nas águas do açude Cocorobó. Fértil, enfim, como território simbólico demarcado em múltiplas abordagens que expõem um ciclo grandioso da memória nacional em livros, cordéis, filmes, documentários, músicas, fotografias, artes plásticas, músicas, peças teatrais. Canudos se firma, consoante tal cenário, como solo fértil de expressões artísticas.

A Feira Literária de Canudos – Flican – credencia-se, nesse contexto, como um espaço fecundo para aprofundar e difundir o legado da saga conselheirista, bem assim o capital simbólico e o repertório de realizações artístico-culturais derivadas, especialmente aquelas relacionadas à literatura, cujo significado e ressonância têm gerado importantes repercussões no plano nacional e internacional.

É, pois, com esse espírito que a Flican direciona para o campo multicultural o lendário repto conselheirista “O sertão vai virar mar”, modelando, a partir dele, a ideia-força para o empreendimento. O período escolhido, de 21 a 24 de novembro de 2019, converge em oportunidade com a celebração dos 122 anos da Guerra de Canudos, um dos acontecimentos mais importantes da história do Brasil, aqui ocorrido no final do século XIX.

Considerada em sua concepção de educação e ação cultural, focalizada na vertente literária integrada a múltiplas linguagens artísticas, e dada a sua natureza não-comercial, a Flican realizar-se-á em espaços diferenciados da cidade, tendo como propósito apresentar, difundir e valorizar a obra literária em sua natureza plural e em diálogo com outras expressões artísticas, através de conferências, mesas de conversa, encontros, concertos lítero-musicais, lançamentos de livros, contação de estórias, oficinas, intervenções artísticas, exposições, filmes e shows.

Seguindo essa linha, a Feira Literária incorpora ações educativas envolvendo as escolas públicas do município, mobilizando professores, diretores e alunos da rede de ensino com o objetivo de promover e incentivar a leitura, aqui relacionada diretamente com a temática conselheirista e sertaneja e ênfase nas práticas da cidadania. Assim, além de criação de produtos literários pelos alunos da rede de escolas do município de Canudos e do entorno dos seus sertões, inclui-se na grade de programação a Flicanzinha, com foco no público infantil.

Ao propor, dentro de sua programação, atividades em espaços históricos e culturais, como o Parque Estadual de Canudos, o Memorial Antônio Conselheiro, o Museu Manoel Travessa,  o Instituto Popular Memorial de Canudos e o Mirante do Conselheiro, a Flican proporcionará aos participantes encontros com renomados estudiosos e autores de obras literárias, valorizando e reconhecendo esses espaços icônicos da memória local e nacional.

Concebida, enfim, como um território livre às artes e fértil à leitura, a Flican assume a educação literária como direito à formação humana e coloca em discussão o acesso ao livro e à literatura a diferentes públicos da comunidade local e a visitantes. É uma realização da UNEB, em parceria com a Prefeitura Municipal de Canudos, a Secretaria de Cultura, a Secretaria de Educação e da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Governo do Estado da Bahia. Contando, ainda, com o apoio da Fundação Pedro Calmon, Instituto Popular Memorial de Canudos – IPMC,  o Centro de Estudos Euclydes da Cunha, UESB e UCSAL.

Nesta primeira edição, a Flican homenageia duas personalidades basilares à história e à cultura do país: o peregrino Antônio Conselheiro e o escritor Euclydes da Cunha.

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